
PROJETOS
Equipe Prof. Rodrigo A.P. Martins
Ciclo celular e Vias de Sinalização de Danos ao DNA na Organogênese Ocular
Ao mesmo tempo em que a integridade do DNA é constantemente desafiada por agentes endógenos e exógenos, a estabilidade da organização do genoma é crucial para a transmissão fidedigna da informação genética entre gerações, para o desenvolvimento de organismos multicelulares e para a prevenção da carcinogênese. Entende-se por reparo de DNA o um conjunto de processos de identificação, sinalização e correção de danos ao DNA, que visam manter a integridade do genoma, impedindo o estabelecimento de mutações. A importância desse conjunto de processos pode ser evidenciada pelo grande número de patologias e síndromes cancerígenas e/ou neurodegenerativas decorrentes de defeitos em moléculas responsáveis pela reparo, tais como: o câncer de mama, câncer coloretal hereditário não-poliposo, o xeroderma pigmentar, a tricotiodistrofia, anemia de Fanconi, ataxia telangiectasia e as síndromes de Cockayne, de Nigmegen, de Werner, de Bloom e de Rothmund-Thomson, assim como alguns casos de tumores não hereditários, como por exemplo, pulmão e ovário. Através de experimentos nunca antes executados, estamos avaliando in vivo a importância da sinalização e reparo de danos ao DNA para a organogênese ocular. Evidências preliminares mostram que o sistema nervoso em desenvolvimento é altamente sensível a danos ao DNA. Em função da intensa proliferação celular na retina, cristalino e córnea durante o desenvolvimento embrionário, e da grande exposição a agentes indutores de dano ao DNA, tais como luz intensa, luz ultravioleta (UV) e radiação ionizante (RI), supomos que as vias de reparo de DNA são fundamentais tanto para a formação do olho durante o desenvolvimento quanto para a homeostase de cada um desses tecidos na vida adulta.
Regulação da Organogênese Ocular por Fatores de Transcrição Myc
Os proto oncogenes da família MYC (c-Myc, N-myc e L-myc) codificam fatores de transcrição do tipo BHLH (basic-helix-loop helix) que são capazes de regular a expressão de múltiplos genes alvo. Esses fatores de transcrição desempenham funções cruciais no desenvolvimento e na homeostase de diversos sistemas por regular a expressão de genes controladores da proliferação, do crescimento, da diferenciação e da sobrevivência celular. Descobrimos que N-myc regula a proliferação de células progenitoras da retina durante o desenvolvimento. Usando um modelo de camundongo transgênico condicional, no qual o gene de N-myc era inativado especificamente na retina, observamos saída precoce do ciclo celular durante o desenvolvimento e formação de uma retina adulta menor e com menos células. Surpreendentemente, outras estruturas oculares, como o cristalino, onde o gene de N-myc não foi inativado, também tiveram seu crescimento comprometido. Esses achados indicaram para a participação de N-myc numa via de coordenação do crescimento ocular. Esse projeto tem como objetivo principal estudar os mecanismos moleculares de coordenação do crescimento ocular durante o desenvolvimento.
Resposta a Danos ao DNA e Radioresistência em Glioma

A partir de estudos baseados em cultura de células, tentaremos abordar um aspecto clinicamente relevante do tipo mais letal de câncer no cérebro. Neste projeto de pesquisa translacional, aproveitamos nosso conhecimento de vias de reparo de DNA, no desenvolvimento do SNC, para melhor compreender a base molecular da radioresistência em células de glioma. Atualmente, esse trabalho está sendo realizado com a ajuda do serviço de Radioterapia do Hospital Universitário (HUCFF).
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